Previsões de 1964 do autor de ‘Eu, Robô’ se tornaram realidade

Autor de ‘Eu Robô’, o escritor Isaac Asimov acertou ao imaginar uma comunicação via satélite e fibra ótica, e sociedade que sofre com o tédio.

“As comunicações combinarão som e imagem, e você vai ver e ouvir a pessoa para quem telefonar. A tela pode ser usada não só para ver as pessoas para quem liga, mas também para o estudo de documentos e fotografias, e para ler trechos de livros. Satélites síncronos, pairando no espaço, permitirão a você ligar diretamente para qualquer ponto da Terra, incluindo as estações meteorológicas da Antártida.”

Asimov acertou ao prever o futuro das telecomunicações. O conceito de videochamada, de usar a tela do telefone para outros fins, e de conectar o mundo através da telefonia, se realizaram nos últimos 50 anos. A imagem acima é do filme ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’, lançado alguns anos depois que o escritor publicou seu texto.

“Um número enorme de conversas simultâneas poderão ser feitas por raios laser modulados, que são fáceis de manipular no espaço. Na Terra, no entanto, os feixes de laser terão de ser conduzidos por de tubos de plástico, para evitar a interferência material e atmosférica. Os engenheiros ainda vão lidar com esse problema em 2014.”

Esse é praticamente o conceito da fibra óptica, que conecta o mundo inteiro através da telefonia e internet. A comunicação por fibras começou a ser desenvolvida na década de 70, portanto, depois das previsões de Asimov. E não só os engenheiros têm problemas com os cabos submarinos: eles são os tubos pelos quais os Estados Unidos espionam o mundo.

“Quanto à televisão, aparelhos de parede terão substituído as comuns; mas cubos transparentes terão aparecido, nos quais será possível ver vídeos em terceira dimensão.”

Sim! A TV cresceu e se tornou fina o bastante para ser presa à parede. Com as resoluções 4K e 8K, elas podem ficar ainda maiores sem perder a qualidade de imagem. A ideia do cubo transparente é quase uma TV holográfica, que pode ser vista em 3D e de fato ainda está em seus estágios iniciais.

2

‘Até 2014, apenas naves não-tripuladas terão aterrissado em Marte, mas uma missão com astrounatas estará sendo planejada.’

Sim! A Curiosity está explorando o planeta vermelho agora mesmo, em busca de sinais de vida passada, e o presidente Barack Obama já disse que planeja enviar humanos ao planeta vermelho. Ainda há o projeto Mars One, para instalar uma colônia humana e ocupá-lo a partir de 2023. Sensacional, Asimov.

‘Em 2014, há uma enorme probabilidade de que a população mundial será de 6,5 bilhões, e a população dos Estados Unidos será de 350 milhões.’

Prever esses números há cinquenta anos e chegar tão perto, para mim, é um acerto. Estamos em 7,1 bilhões de pessoas no mundo; os EUA têm 317 milhões de habitantes.

‘Nem toda a população mundial vai aproveitar ao máximo o mundo do futuro cheio de gadgets. Uma parte maior do que hoje será privada disso, e embora possa estar numa situação materialmente melhor do que a atual, eles estarão ainda mais atrasados quando comparados com as regiões avançadas.’

Os avanços tecnológicos, infelizmente, são para a minoria em uma escala global. Asimov acertou em cheio.

1

‘Mesmo assim, a humanidade sofrerá gravemente com a doença do tédio, uma doença que se espalhará de forma mais ampla a cada ano e crescendo em intensidade. Isso vai ter consequências mentais, emocionais e sociológicas sérias, e ouso dizer que a psiquiatria será, de longe, a especialidade médica mais importante em 2014.’

É de dar arrepios essa previsão de Asimov. Nossas relações com a tecnologia acaba nos deixando mais tristes. Não é por ser “tedioso”: é que não estamos interagindo de fato com outras pessoas. A internet está nos deixando deprimidos. Ou você nunca teve aquela sensação de vazio depois de ficar horas com o celular na mão, ou em frente ao computador? Os gadgets têm mesmo um impacto na sociedade: pense no Google Glass, por exemplo, e a polêmica que seu uso trouxe.

‘Os poucos sortudos que puderem se envolver no trabalho criativo de qualquer espécie serão a verdadeira elite da humanidade, pois farão mais do que servir a uma máquina.’

Sim. À medida que adotamos a automação, os trabalhos criativos continuaram a ganhar destaque.

‘Na verdade, a especulação mais sombria que eu posso fazer sobre 2014 d.C. é que em uma sociedade de lazer forçado, a única palavra mais gloriosa no vocabulário se tornará o trabalho!’

Nunca se discutiu tanto as questões de trabalho versus lazer. Você faz o que gosta? Gosta do que faz?

Onde ele acertou em parte

Dispositivos sem fio e com bateria duradoura: nossos gadgets estão se tornando cada vez mais móveis, e a tecnologia caminha para que fios se tornem cada vez mais obsoletos. No entanto, a bateria deles ainda dura pouco, não usa material radioativo, e ainda dependemos dos fios. Até o carregador wireless tem fio!

Triunfo da energia nuclear e solar, inclusive coletada no espaço: a energia nuclear ainda é um ponto muito polêmico – vide o desastre em Fukushima, no Japão – por isso boa parte da energia consumida no mundo ainda vem de combustíveis fósseis. Nossa visão para o futuro agora está voltada para fontes renováveis, como a energia eólica e solar, assim como Asimov aponta. No entanto, obter a energia do sol direto do espaço ainda é um sonho futurista.

Robôs mais espertos, movidos a computadores, porém longe do ideal: cinquenta anos foi o bastante para criarmos robôs incríveis, como o BigDog e outros da Boston Dynamics, que agem quase como seres vivos. Existem até robôs sociais, cuidando de idosos no Japão, por exemplo. Eles realmente usam pequenos computadores para receber comandos e realizar ações. No entanto, ainda estamos engatinhando em muitos aspectos da robótica, assim como o escritor previu.

3

Veículos autônomos: veículos que se guiam sozinhos são praticamente uma realidade na aviação. Eles já existiam na época de Asimov: em 1947, um US Air Force C-54 fez um voo transatlântico, incluindo decolagem e pouso, apenas usando o piloto automático. O “autopilot” se popularizou, mas estamos só agora nos esforçando para criar carros que andam sozinhos, como os do Google.

Comida congelada domina a alimentação, mas cozinha ainda tem espaço para preparo manual: já existiam refeições congeladas naquela época. Asimov acertou que elas iriam se popularizar. No entanto, elas não substituem a comida feita no fogão, o “pequeno canto” onde são feitas as refeições de forma manual.

Janelas polarizadas: nos anos 60, foi criada a película para janelas, que escurece quando recebe luz solar. Elas são usadas ao redor do mundo, porém, não na escala que Asimov imaginava.

Máquinas fazem trabalhos rotineiros melhor que humanos, e servimos apenas para cuidar delas: quando um emprego é substituído por um robô, por exemplo, surge a demanda por pessoas que saibam controlá-lo, e que possam fazer sua manutenção. No entanto, ainda estamos longe de uma sociedade que apenas cuida de máquinas, porque a automação ainda não chegou ao ponto que Asimov esperava.

Computação e programação como disciplina nas escolas: Asimov acertou que computadores se tornariam onipresentes o bastante para aprendermos a usá-los na escola. No entanto, ele dizia algo além: previa que nós iríamos aprender a criar código para elas. Quem dera! Ensinar programação deveria mesmo ser obrigatório no ensino médio.

Dispositivos que substituem ou consertam partes do corpo; expectativa de vida em 85 anos; iniciativas para controle de natalidade: ainda não usamos órgãos artificiais com a frequência que Asimov imaginou, mas estamos em rumo a um futuro assim. A medicina também avançou muito nas últimas décadas, e fizeram a expectativa de vida aumentar ao redor do mundo. A taxa de fertilidade, por sua vez, também caiu: à medida que as famílias migraram para as cidades e mulheres entraram no mercado de trabalho, muitos decidiram por ter menos filhos. Iniciativas como a Planned Parenthood nos EUA, o limite de um filho por casal na China, e a luta pelo direito ao aborto também surgiram desde aquela época.

4

Cozinha que prepara refeições automaticamente: ele previu que vários aparelhos tornariam a cozinha mais automática. Nesse sentido, ele acertou: o micro-ondas, por exemplo, só foi lançado em 1967. Ele até cita objetos como a cafeteira automática, lançada em 1972! No entanto, ele ia mais longe, imaginando dispositivos que fariam uma refeição inteira com mínima interação humana. Por exemplo, bastaria programar a cozinha na noite anterior para fazer o café da manhã, e ela o preparia, fritando ovos e bacon na hora marcada.

Alimentos artificiais vindos de algas e fungos: tem algo de bastante correto aí. Estamos rumando para comidas totalmente artificiais, como o hambúrguer de laboratório. E sim, existe uma forte resistência à adoção desse tipo de comida.

Onde ele errou:

5

Casas subterrâneas: Asimov imaginava que os humanos morariam debaixo da terra, deixando a superfície do planeta para a agricultura e parques. Fizemos o contrário: criamos edifícios cada vez mais altos para morar e trabalhar.

Casas subaquáticas: Ainda não estamos habitando os oceanos. Há projetos nesse sentido, mas como mencionamos: estamos morando em prédios cada vez maiores, em vez de mais profundos.

Tetos e paredes eletroluminescentes: essa é uma visão futurista até hoje, de transformar todo o ambiente da sua casa através da iluminação. O mais perto que chegamos disso é usando a Philips Hue, lâmpada que muda de cor e pode ser controlada sem fios.

Robôs que limpam toda a casa: mais uma vez, o escritor imaginava uma casa bastante automatizada, o que não acontece hoje em dia. No máximo temos o Roomba, um robô aspirador que na verdade é pequeno e ágil, mas não é inteligente como previsto há 50 anos.

6

Veículos sem contato com a superfície, sobre a terra e a água: basicamente, Asimov apostava na evolução e popularização de hovercrafts, que flutuam em vez de tocar o chão. Isso não aconteceu.

Calçadas que se movem, elevadas por cima dos veículos: essas calçadas ainda são raridade. Essa ideia foi aplicada a aeroportos e estações de metrô, no entanto.

Colônias na Lua: os humanos continuam a exploração espacial, e alguns já moram na órbita da Terra – olá, astronautas da ISS! Mas colônias na Lua ainda estão longe de se tornar realidade.

General Electric, feiras mundiais, e filmes 3D: toda previsão do futuro tem elementos do tempo em que a pessoa vive. Para Asimov, as Feiras Mundiais ainda seriam relevantes hoje em dia, o que não é o caso (elas ainda existem, no entanto, e a próxima será na Itália em 2015). O mesmo pode ser dito sobre a General Electric: ela continua sendo uma empresa gigante, mas não vem à mente quando se trata de inovações futurísticas. E estamos nos livrando do 3D, felizmente!

 

Inscreva-se no nosso canal no Youtube 🙂
Fonte: MSN Tecnologia

Contribuição: Paulo Poian

Links ETs & ETc…:
Se você visitar nossa PÁGINA PRINCIPAL corre o risco de não querer sair do site. Pense bem antes de clicar.
[box type=”alert”] ATENÇÃO PARA AS REGRAS DOS COMENTÁRIOS – Não serão permitidas ofensas e palavras de baixo calão ou “gracinhas” ofensivas ao tema ou as pessoas. Antes de criticar as postagens do Blog, leia nossa política. Você pode criticar as postagens à vontade, desde que seja com educação. Caso contrário, seu comentário não será publicado e havendo persistência, será banido dos comentários. Obrigado pela compreensão.[/box]

Weslem

Weslem Andrade é formado em Artes plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia. Virou pesquisador de Ufologia em 2001, após ter o que julga ser o seu principal avistamento ufológico. Tal experiência e engajamento em pesquisas, culminou com a criação do blog ETs & ETc..., em agosto de 2010.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Notice: ob_end_flush(): failed to send buffer of zlib output compression (0) in /home/etseetc/public_html/wp-includes/functions.php on line 5279